quinta-feira, 28 de março de 2019

Putin diz que países que abrigarem mísseis dos EUA serão alvo da Rússia

Ameaça vem após Trump anunciar que EUA sairão de acordo de 1987 para controle de armas nucleares




O presidente russo Vladimir Putin disse nesta quarta-feira (24) que, caso os Estados Unidos passem a manter mísseis de médio alcance na Europa, a Rússia terá como alvo as nações que hospedarem os mísseis.

A ameaça vem depois do anúncio pelo presidente americano Donald Trump no sábado (20) de que ele pretende tirar seu país de um acordo de 1987 para o controle de armas nucleares. Trump afirma que a Rússia violou o acordo.

O Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance (INF, na sigla em inglês), negociado em 1987 pelo então presidente americano Ronald Reagan e pelo líder soviético Mikhail Gorbatchov, suprime o uso de toda uma série de mísseis com alcance entre 500 e 5.000 km, capazes de atingir a Europa ou o Alasca.

Putin disse que espera que os EUA não posicionem mísseis de médio alcance, que eram banidos pelo acordo, na Europa, já que isso repetiria a situação dos anos 1980, durante a Guerra Fria, quando União soviética e EUA tinham esse tipo de arma no continente.

"Se [essas armas] forem colocadas na Europa, naturalmente responderemos na mesma moeda", disse Putin em entrevista coletiva depois de se encontrar com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, em Moscou. "As nações europeias que concordarem com isso devem entender que vão expor seu território à ameaça de um ataque retaliatório. Isso são coisas óbvias. Não entendo porque deveríamos colocar a Europa em tamanho perigo."

"Não vejo razão para isso. Gostaria de repetir que não é nossa escolha. Não queremos isso", disse o líder russo.

O secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental), Jens Stoltenberg, disse também nesta quarta que os membros da organização culpam a Rússia por desenvolver um novo míssil que viola os termos do INF, mas afirmou que não espera que os países-membros da Otan aumentem seus arsenais nucleares na Europa em resposta a isso.

Putin voltou a negar que a Rússia tenha violado os termos do INF e disse que foram os EUA quem o fizeram. Ele afirmou que instalações militares dos EUA na Romênia têm mísseis capazes de operação de médio alcance caso seja feita uma pequena alteração de software.

Por fim, o presidente russo disse que espera discutir a questão com Trump em Paris no próximo dia 11 de novembro, quando os dois participarão de eventos para comemorar os cem anos do fim da 1ª Guerra Mundial.

O governo Trump afirma que vai sair do pacto também porque a China não é signatária dele e detém o tipo de míssil banido. O assessor de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, passou dois dias em Moscou nesta semana e discutiu a questão do INF com Putin e assessores. Bolton afirmou que os EUA não avisaram formalmente a Rússia da retirada do acordo, mas disse não acreditar que seja possível salvá-lo.

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