quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Faltando 2 dias para o ENEM Listamos as maiores polêmicas do Exame em toda sua existência.

O Enem foi criado na gestão de Paulo Renato Souza frente ao Ministério da Educação, em 1998 no governo de Fernando Henrique Cardoso. O objetivo da prova, que na época continha apenas 63 questões (hoje são 180) e uma redação, era servir como um modelo de avaliação anual do aprendizado dos alunos no Ensino Médio, auxiliando o governo na elaboração de políticas de melhoria na educação do País.
Na primeira edição, o exame contou com um número modesto de apenas 115,6 mil participantes, de um total de 157,2 mil inscritos. Na quarta edição, em 2001, o Enem começava a conquistar espaço no País. Neste ano, já alcançava a marca de 1,6 milhão de inscritos e de 1,2 milhão de participantes. A prova ainda era composta de 63 questões, mais uma redação. Uma medida importante para democratizar o Enem foi a isenção do pagamento da taxa de inscrição para os alunos de escolas públicas. A popularização definitiva do Enem ocorreu em 2004, já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que passou a conceder bolsas em instituições privadas de ensino superior de acordo com o desempenho dos estudantes no exame. Os benefícios do ProUni são distribuídos a partir do desempenho do candidato no exame e podem ser integrais ou parciais, dependendo da renda da família. Para participar do programa é preciso ter cursado todo o ensino médio na rede pública.
O Enem se popularizou em 2005 no ano seguinte à criação do ProUni, o Enem alcançava a marca histórica de 3 milhões de inscritos e 2,2 milhões de participantes. Poder estudar em instituições privadas sem pagar a mensalidade tornou-se um grande atrativo para os alunos de escolas públicas.

Em 2009 o governo federal mudou o caráter e o formato do exame, que passou a servir como uma espécie de "vestibular nacional". O Enem tornou-se um processo unificado de seleção para universidades públicas de todo o País. A ideia, segundo o MEC, é propor outro tipo de formação, mais voltada para a solução de problemas e menos para a "decoreba" dos vestibulares.
O exame passou de 63 questões para um teste com 180 perguntas distribuídas em quatro cadernos de prova: Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagens e Matemática, além de uma redação. O novo formato é realizado em dois dias. Neste ano um grupo furtou o caderno de dentro da gráfica responsável pela impressão e tentou vendê-lo para veículos de comunicação, chegando a pedir R$ 500 mil pelo material. Um dos jornais procurados denunciou a oferta ao Ministério da Educação (MEC), que decidiu cancelar a prova e adiá-la. O Ministério Público Federal (MPF) apontou um prejuízo de cerca de R$ 45 milhões para a reimpressão das provas, além dos danos causados aos mais de 4,1 milhões de estudantes inscritos. Após o vazamento, a prova, que estava prevista para acontecer em outubro, foi adiada para dezembro, causando prejuízos aos mais de 4,1 milhões de estudantes inscritos. Muitas universidades que haviam decidido utilizar as notas do Enem em seus processos seletivos desistiram de levar o resultado em consideração após o atraso. Ainda neste ano o INEP divulga em seu site um gabarito errado. Apesar dos problemas na edição de 2009, em 2010 o Enem conquista a adesão 4,6 milhões de inscritos. Neste ano, o governo federal cria o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ferramenta online que cruza os dados das vagas nas instituições de ensino com as notas dos alunos no Enem. Assim, os estudantes fazem apenas uma inscrição e podem pleitear vagas em instituições públicas de todo o País. Mas, os problemas continuaram nos primeiros dias de funcionamento, no entanto, o site do Sisu travou, dificultando a matrícula dos estudantes. Os problemas de acesso ao sistema motivaram a Justiça Federal a acatar pedido de liminar do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro para que as inscrições fossem prorrogadas. Essa liminar foi derrubada, mantendo o cronograma normal. Neste mesmo ano dados pessoais de participantes das edições de 2007, 2008 e 2009 do Enem puderam ser acessados livremente na internet. A página do Inep reservada às instituições de ensino, cujos dados só poderiam ser abertos mediante senha, continha informações como nome completo do aluno e número de inscrição, carteira de identidade, Cadastro de Pessoa Física (CPF), além do nome completo da mãe do candidato.
No primeiro dia de prova do Enem 2010, as primeiras questões eram de Ciências Humanas e as últimas de Ciências da Natureza, mas o gabarito invertia a ordem. Os fiscais pediram para que os alunos preenchessem as respostas conforme o número da questão, mas algumas pessoas dizem ter feito o contrário.
Além da falha no gabarito, um lote de 33 mil provas foi impresso com erro de ordenação que repetia questões e deixava outras de fora. Segundo a gráfica responsável, foram distribuídos 21 mil cadernos com erro para candidatos.
A Justiça Federal no Ceará solicitou a suspensão do Enem 2010 e a aplicação de uma nova prova para todos os candidatos com a argumentação de que as falhas nas provas violaram o princípio da isonomia.
Ainda neste anos uma professora municipal da cidade de Remanso (BA), aplicadora da prova do Enem, teve acesso ao título de um texto cerca de duas horas antes do início das provas, durante abertura do caderno destinado a deficientes visuais. Em depoimento à polícia, a educadora afirmou que, depois de folhear rapidamente o caderno, ela ligou para o marido do telefone da escola e informou sobre o tema da redação.
Após receber a informação, o marido da professora pesquisou sobre o tema informado na internet e ligou para o filho, em Petrolina (PE), contando sobre o vazamento. O estudante, por sua vez, consultou professores de redação a respeito de como escrever um bom texto sobre o tema. O candidato foi desclassificado e os pais foram processados. Um repórter do Jornal do Comércio, de Pernambuco, conseguiu enviar por celular o tema da redação do Enem enquanto fazia a prova. A mensagem tinha como destino a equipe do periódico. Às 14h38 de domingo, o site do jornal publicava o tema: o trabalho para a construção da dignidade.
Uma pergunta na prova de 2010 usou um trecho do livro 1808, de Laurentino Gomes, com erro de data. A questão afirmava que a abertura dos portos no Brasil ocorreu em 1810. "O erro, infelizmente, é do MEC, não meu. A data correta, que aparece no capítulo Salvador do livro, pág. 116, é 28 de janeiro de 1808", disse o escritor.

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